Quem nunca aqui tomou um porre, que levante o copo e jogue a primeira garrafa de pinga. E se alguém nunca tomou um porre daqueles, é porque não sabe o que está perdendo, por favor.
Mas o pior de um porre é sempre o dia seguinte, bate aquela ressaca…
E vamos à frase…
“Parei de beber! Não agüento mais”.
É clássica essa frase no dia seguinte. Mas geralmente essa mania feia some com o passar do tempo e vamos nos acostumando com essa rotina etílica, de sempre andar bebendo.
E que todos nós sabemos, que para melhorar essa ressaca, só bebendo mais.
"O que a sobriedade esconde, a embriaguez revela", é o que disse um grande filosofo bêbado que ouvi outro dia em um bar. No momento não me dei conta de como eram sabias suas palavras, só depois na ressaca é que reparei e fui analisar. A sobriedade é cheia de regras de comportamento, não se pode falar alto, nem conversar a respeito de certos assuntos, cheia de atitudes hipócritas, essas são as regras que qualquer pessoa dita “descente” as cumpre ao pé da letra sem titubear. A embriaguez é anarquista, quando surge faz com que nos despimos de todas as mascaras que a sociedade nos obriga a usar no dia-a-dia, ficamos desarmados, só a verdade é dita (seja ela qual for). E é nesses momentos que expomos tudo o que realmente sentimos, o verdadeiro “Eu” surge entre um gole e outro, se a pessoa é demasiadamente emotiva, quando bebe surge o Bêbado chorão, esse é só tomar umas a mais que se desmancha em lagrimas, e não só quando está triste, nos momentos felizes também. Se no âmago de sua alma o cidadão é uma pessoa conflituosa, aparece o Bêbado pitboy, pra esse tudo é motivo pra brigar. São muitas as classes, Bêbado rico, Bêbado garanhão, Bêbado introspectivo, em outra oportunidade descreverei um por um. O que quero dizer com isso tudo ébrios leitores, é que nós bêbados convictos conseguimos da forma mais pura expressar todos os sentimentos, inclusive o sentimento mais sublime que existe: O amor. Indubitavelmente, esse é o que mais expressamos, quem nunca tomou um porre e se pegou ligando pro amado (a), ou pelo menos tentando, sem falar nos discursos, os quais admitimos pra todo mundo (inclusive o garçom), que amamos mesmo aquela pessoa, falamos em alto e bom tom, sem pudor, medo ou vergonha.
Você sóbria leitora, que porventura esteja lendo esse texto, fica aqui um conselho: Nunca desdenhe de uma declaração feita por um Apaixonado Embriagado.
Ébrio leitor, em algum momento da sua embriagada vida o senhor já deve ter parado e refletido sobre a fugacidade da vida, ou se vamos pro céu ou inferno, as mais diversas questões filosóficas já devem ter permeado a sua entorpecida mente. Mais alguma vez já se questionou porque e pra que bebemos? Como todas as indagações etílicas, essa não foge a regra e também é muito complexa, e não sou eu que vou tentar definir, pois a definição é sempre uma forma de aprisionamento. Definir é estabelecer uma cerca, impedindo que a realidade definida se mova em outras direções. Então, a única coisa que eu posso dizer-lhes com segurança, é que cada um de nós tem um motivo muito peculiar pra beber (às vezes nem o tem), tem gente que bebe porque ta feliz, ou porque ta triste, porque a mulher o deixou, ou voltou, descobriu que é corno. Os motivos são os mais variados possíveis, mais o que é certo mesmo, é que algo sempre nos impulsiona, nos leva a beber. Na vida estressante que vivemos todos nós hoje, vale à máxima: Beber é preciso.
Muitos puritanos podem achar o bar um ambiente inóspito, degradável, onde somente freqüentam pessoas que perderam o rumo da vida, que estão imersas na mais profunda desilusão, seja amorosa ou existencial.
Eu diria que além de ser uma analise tendenciosa, também é simplista de mais. O bar é muito maior que isso, transcende a qualquer tentativa mesquinha de entender o seu real significado para nossa ínfima existência. Muitos os autores tentaram descreve-lo, tentaram. Pois o bar é inclassificável, indescritível, é verdade que muitos são parecidos, existem elementos que são peculiares, comuns a todos. Mais cada bar carrega consigo uma alma própria, respira, transpira, exala um cheiro característico, cada bar é único. Ao se chegar ao nirvana do estado alcoólico o ser humano ganha a condição social de bêbado e somente um verdadeiro bêbado consegue enxergar, sentir, apalpar, saborear essas sutis diferenças que existem entre os bares. Por exemplo, existe um bar para cada estado de espírito:
O bar chique – Que só vamos quando estamos interessados em impressionar alguém. Pois tudo nele custa o olho da cara, porque o ambiente foi milimetricamente desenhado por um designer de ambientes do momento. Enfim são os mais frios, não nos sentimos bem, não é acolhedor, parece que todos estão representando algo que não o é.
O bar da paquera – Esse sem sombra de dúvidas é um dos mais mal freqüentados, neles só encontram-se adolescentes com os hormônios em ebulição ou encalhados (as) com um único objetivo, encontrar alguém que os salve do limbo da solteirice eterna. São os bares que deturparam o real significado desse ambiente “sagrado” pros seus fieis apreciadores, uma vergonha sem tamanho pra classe de bares.
O BAR – Eu costumo nomear simplesmente essa subclasse assim, pois essa é a mãe de todos os bares, todos de alguma forma derivaram desse. Esse é aquele que costumamos chamar de Botequim ou Boteco, esse sim tem uma seleta classe de pessoas que o freqüentam, e sabem do valor imensurável que esses singulares ambientes representam pra nossas vidas. É o bar que dividimos inesquecíveis noites de sexta com os amigos, onde conversamos os mais variados assuntos, da situação econômica do país, a quem ta pegando aquela amiga do trabalho, da faculdade. A aura que esses lugares emanam é simplesmente tranqüilizadora, podemos chegar o mais estressado, macambúzio, que “ele” de alguma forma nos conforta, acalma, dar colo, massageia o ego. Enfim, o que estivermos precisando o garçom traz na bandeja junto com a cerveja.
Quando for novamente a um bar, tente enxergar como “O verdadeiro bêbado” o ver. Sem preconceitos, simplesmente o sinta, deixe que o bar se mostre por completo, na sua plenitude, pode nascer ai uma linda história de amor. Um verdadeiro amor, sem cobranças, sem precisar ligar no dia seguinte, ou conhecer a sogra, o qual você pode ter certeza que quando precisar ele estará totalmente disposto a seu bel-prazer.
A todos os Bêbados de plantão, tenho certeza que essa será sua mais nova casa. Aqui o senhor será tratado com todo o respeito que merece, sendo dado o verdadeiro valor que suas histórias têm.